Certo dia passando pela tabacaria, reencontrei um velho conhecido meu.
Dizia que nunca seria ninguém, mas tinha em si todos os sonhos do mundo.
Disse histórias sobre seus amigos, que estava cansado daqueles semideuses.
Queria conhecer alguém que fosse ordinário como ele.
Com esses pensamentos na mente, escrevi... Mas ninguém entendeu...
terça-feira, 6 de abril de 2010
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Os dragões não conhecem o Paraíso
"(...)
Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pantanal de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.
(...)"
(Caio Fernando Abreu)
terça-feira, 3 de junho de 2008
terça-feira, 25 de março de 2008
Quando eu tiver setenta anos
quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência(Paulo Leminski)
segunda-feira, 24 de março de 2008
Arrière-pensée...
Como posso mostrar o meu valor, quandome rodeio de putas caras assim?
Me aproveitando de suas companhias epagando com um sorriso na face?
Sou o quê? Inescrupuloso? Ordinário?
Quem não me conhece, que me compre!Porque sou barato mesmo...
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
...
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Álvaro de Campos - Tabacaria
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
De mudança...
Sinto agora a necessidade de me comunicar. Não que nunca tenha feito, me esqueço de fazer. É muito fácil aceitar, e cômodo deixar acontecer, o trabalhoso é dizer como deve ser feito, escolher, mudar, propor.
Proponho, para meu novo eu, que seja diferente, agressivo, ágil e imponente, que as pessoas o escutem, que discuta, entenda, opine e mude. Não quero mais ser a fortaleza, parada e resistente, agora sou soldado, bravo.
Vou à guerra...
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